Autor: Rodrigo Valente

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GTA V: uma produção cinematográfica para um game.


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Matéria publicada por Zero Hora, com a contribuição de Rodrigo Valente:

Maior fenômeno da história dos games, novo GTA tem superprodução de cinema e muita violência
Diferentemente dos anteriores, quinta versão traz mais do que um coquetel explosivo de subversão e incorreção política

Lançado em setembro, o quinto volume da série Grand Theft Auto (GTA) tornou-se o maior fenômeno da história dos videogames. Agradando a velhos adeptos e neófitos, ultrapassou a marca do bilhão de dólares em vendas nos primeiros três dias, segue onipresente no noticiário especializado e virou objeto de adoração na web.

O motivo é simples: GTA V lembra a casa da vovó, um lugar cheio de possibilidades, onde quase tudo é permitido e a única regra é se divertir — só que com carros velozes, mulheres seminuas e um gigantesco arsenal de armas.

Diferentemente dos anteriores, o novo capítulo de GTA traz mais que um coquetel de subversão e incorreção política. Ao tradicional sistema de mundo aberto (melhorado no limite da atual tecnologia), foi inserida uma história que vai sendo construída sob a perspectiva de três personagens — um ladrão de bancos “aposentado” (Michael), um jovem ambicioso (Franklin) e um psicopata (Trevor) —, sempre pela vontade do jogador.

— Essa liberdade narrativa é um dos pontos fortes de GTA V. Você pode tanto seguir o roteiro pré-estabelecido pelo jogo, cumprindo as missões, quanto fazer a sua própria história. Nada é obrigatório — aponta Rodrigo Valente, Coordenador da Empresa de Comunicação Júnior da ESPM. Ele ainda compara o jogo a um filme.

— Você é ator principal, diretor e roteirista, nunca a indústria dos games chegou tão perto da indústria do cinema — afirma.

O segundo trunfo de GTA V é poder desfrutar dessa liberdade em um ambiente dinâmico, quase vivo, criado pela equipe da Rockstar. Inspirada em Los Angeles, a cidade Los Santos não só é imensa, mas bonita, com um núcleo urbano riquíssimo, área selvagem e litoral quase infinito. Tudo apresentado com riqueza de detalhes.

Para Rafael Rodrigues, produtor executivo da Aquiris Game Studio, empresa de Porto Alegre, outro mérito de GTA V é justamente se aproximar cada vez mais da realidade do jogador, tornando-o não apenas participante, mas cúmplice. Detalhes, como uma versão debochada do Facebook (chamada de LifeInvader), fazem toda a diferença.

Ironicamente, no entanto, o game apresenta uma grande falha: jogar em rede — com pessoas distantes fisicamente, mas unidas pela internet — tem sido difícil devido a diversos bugs e esperas que parecem intermináveis. Na última sexta-feira, a produtora responsável pelo jogo se pronunciou por meio de seu site oficial. A Rockstar diz estar trabalhando para atender à expectativa dos fãs, altíssima, como se pode imaginar.

Para ler mais, acesse: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/10/maior-fenomeno-da-historia-dos-games-novo-gta-tem-superproducao-de-cinema-e-muita-violencia-4291095.html

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Hong Kong, 1992.


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Texto publicado no livro: CHINA, PASSADO E PRESENTE, da Prof. Rosana Pinheiro Machado.

Fui à China pela primeira vez no distante ano de 1992. Hong Kong era uma possessão inglesa, guardava a nobreza e pompa britânicas. A China era um universo distante de nossa realidade brasileira, e embora se soubesse que ela estava lá, grandiosa e inerte, o afastamento mental era igual à distância que separa a Terra de Marte. Naquela época, eu tinha uma empresa de agenciamento internacional, que desde 1988 atuava no ramo têxtil. Minha companhia, em sociedade com um agente em Montevidéu, um em Buenos Aires e outro em Nova York, chamava-se Sndes Consulting, e a reunião de nossos escritórios formava a Buena Onda Corporation. Um bonito nome para uma bonita operação.

Nossos mercados compradores eram o Brasil, o Uruguai e a Argentina, e nossos fornecedores estavam no Uruguai, na Itália e Peru. A China e o Oriente de modo geral eram nossa fronteira obrigatória, comprar deles era condição essencial para o crescimento dos negócios. A partir dos contatos de nossos sócios, Arturo Reich, de Buenos Aires e, Michael Chetrit, em Nova York, fiz a primeira incursão para visitar fornecedores e desbravar novas possibilidades de negócios.

Meu amigo Ricardo Walter, que morava em HK desde o início dos anos 90, me assessorou nesta primeira viagem, e me apresentou a algumas pessoas. Na vida, uma pessoa deve se arrepender daquilo que não faz e Ricardo organizou um encontro com Supanee Gazeele, uma surpreendente tailandesa que nos recebeu em um restaurante de andar inteiro, todo reservado para nós, debruçado sobre a baía de Hong Kong. Ao final de um maravilhoso almoço, ela me diz: “I am going to make you rich”. Isso desde que eu deixasse de vender têxteis e me dedicasse à fábrica dela, de armações para óculos. Ah, erro meu….

A verdade é que não posso me queixar do ramo têxtil, pois partindo de Hong Kong, nas viagens subsequentes, desenvolvi uma equipe de fornecedores fantástica para clientes do high e low end da moda e fábricas de confecção no Brasil e Uruguai. Apesar do que se dizia sobre os chineses, o fato é que não se pode generalizar. Meus fornecedores eram homens sérios, alguns refugiados do comunismo que retornaram à sua terra para produzir. Nunca tive problemas em cobrar comissões ou exigir reparos para produtos sem a qualidade devida.

Uma história interessante é revela a importância que os chineses dão a superstições. Certa vez fui visitar uma fábrica de roupas íntimas e malharia básica, instalada em um enorme edifício. Quando cheguei, entrava na garagem um chinês muito bem vestido, dirigindo um Rolls Royce Corniche conversível, marrom claro com estofamento bege. Não é uma imagem que se esquece facilmente. Ao ser recebido pelo dono da fábrica, dez minutos mais tarde, vejo ali, na minha frente, o dono do Rolls. Bem, a conversa divertida girava em torno da paixão comum por automóveis e Mr. Chan me descreveu sua coleção, que incluía um Corvette Stingway e uma Ferrari Daytona, entre outros “brinquedinhos”. Sabendo que em HK paga-se um imposto de U$10 mil anuais para se manter um carro, Mr. Chan tinha “café no bule”.

Estamos conversando em uma sala envidraçada, tipo aquário, com vista para o escritório e toda a atividade enlouquecida de amostras, papéis, telefones, etc. No meio da reunião, um senhor de idade, baixa estatura e silencioso entra no salão principal. De repente, um silêncio absoluto de cem pessoas ecoa pelo ambiente. Sim, o silêncio é muitas vezes ensurdecedor. Mr. Chan, ao avistar aquele que me parecia apenas um velhinho simpático, empalidece e só tem tempo de balbuciar um “Excuse me”, antes de deixar a sala. Ali fiquei, olhando através do aquário, como um peixe excêntrico, o que acontecia no mundo externo.

Todos quietos, cabeças baixas no mais profundo respeito oriental, esperando algo. Mr. Chan se curva e o velhinho começa a esbravejar, caminhando pelo salão, apontando ali e aqui, fazendo negativas com a cabeça. Eu, no aquário, “nadava” quieto, afinal, bem sei que mais vale “uma galinha viva do que um valente morto”, e aquele momento, decididamente, não era apropriado para qualquer valentia ocidental. Sete ou oito minutos depois, o velhinho agradece, sorri, e se retira. Mr. Chan levanta a cabeça, suspira e segue as negociações.

Decidi não perguntar sobre o ocorrido. Minha avó germânica dizia que “as palavras são de prata, mas o silêncio é de ouro”. Recuperada a cor, Mr. Chan me explica que aquele simpático velhinho era um sumo sacerdote do feng shui, a milenar arte chinesa que reúne o conhecimento das forças para conservar as influências positivas que supostamente estariam presentes em um espaço, e redirecionar as negativas, de modo a beneficiar seus usuários. Ele viera verificar a reforma do salão e, pelo jeito, não havia gostado nada do que fora feito. Com meus botões, pensei se não seria mais eficiente chamar o velhinho junto com o arquiteto, antes de executarem a obra. Mas eu, peixinho excêntrico, vi que não era hora nem local para este tipo de gracinha ocidental.

Ensinamento desta experiência: o mais importante em uma relação com a China é abandonar nossa visão ocidental das coisas. Tentar compreender as tradições e os maneirismos chineses ajuda muito nos negócios. Eles, como nós, precisam estabelecer laços de confiança antes de fechar contratos.

Por fim, pude estabelecer uma relação muito profunda. Aprendi que chineses, italianos e judeus são muito parecidos. São as civilizações mais antigas da terra, têm quase quatro mil anos. As ligações se baseiam na família, não necessariamente parentes de sangue, mas relações entre amigos que viram família e onde impera a confiança. Estabelecida esta base, se terá acesso a diferentes níveis de receptividade e negócios.

A prosperidade, a amizade e a confiança são valores basilares com os chineses. É óbvio que estamos lá buscando preços, condições favoráveis e entregas pontuais, e estas condições serão alcançadas com disciplina e trabalho. Quanto mais pudermos olhar o mundo com olhos chineses, e não na nossa ótica de curtíssimo prazo, mais fácil será.

Certa vez perguntei a Johnny Wu, empresário cuja família fugira do comunismo em 1949, e que havia voltado para Xangai, porque ele havia voltado. Argumentei que os comunistas mataram milhões de pessoas e que estavam lá há mais de 50 anos. Johnny respondeu: “50 anos, e daí? Nós temos 5.000 anos de história. Isso é nada. E daqui a pouco vai acabar. Sem pressa.” Sim, temos muito que aprender com eles.

Ricardo Sondermann

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Liberdade antes que tardia


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Matéria publicada por Veja, com a contribuição de Ricardo Sondermann:

Brasil ocupa o 100º lugar em ranking de liberdade econômica
Veja online, 09/04/2013 – 14:44

Levantamento analisa dez questões para compor o índice, como a liberdade fiscal, empresarial, trabalhista, monetária, do comércio, do investimento e a financeira, além do direito de propriedade, combate à corrupção e o tamanho do governo na economia de cada país

O Brasil perdeu uma posição no ranking global que mede anualmente o Índice de Liberdade Econômica e passou a ocupar o 100º lugar neste ano. O país obteve 57,7 pontos e classificou-se na categoria “maioria não livre”, de acordo com o estudo divulgado nesta terça-feira, em Porto Alegre (RS), pelo Instituto Liberdade (IL).

O levantamento mundial analisa dez questões para compor o índice como a liberdade fiscal, empresarial, trabalhista, monetária, do comércio, do investimento e a financeira, além do direito de propriedade, combate à corrupção e o tamanho do governo na economia de cada país.

De acordo com Ricardo Sondermann, presidente do Instituto Liberdade, o Brasil está nos últimos cinco anos entre a 113ª a 100ª posição. “Estamos sempre no meio da tabela e não conseguimos evoluir. E já somos a sexta economia do mundo”, afirma. Para ele, é preciso unir capacidade e oportunidade para que o país possa crescer no ranking. “O Brasil teve a oportunidade de exportar commodities, mas uma hora a oportunidade acaba ou fica mais restrita e vamos precisar da capacidade, como em infraestrutura, por exemplo, para investir. Mas nossa condição e capacidade de fazer a longo prazo é nula.”

Ele avalia ainda que a alta carga tributária do país, a participação excessiva do governo para construção do PIB e as questões trabalhistas locais são fatores responsáveis pela baixa colocação do Brasil no ranking, na medida em que dificultam a vida do empresário e do trabalhador. “O empregado precisa ser protegido, mas a lei como é hoje encarece muito (as contratações).”

Embora esses quesitos continuem impedindo a melhora da classificação do país, no item liberdade financeira o Brasil figura na 40ª posição, devido à solidez das grandes instituições bancárias. “Nosso sistema bancário é considerado bom, eficaz. Além disso, ele tem um sistema nacional e integrado. Até mesmo os grandes bancos estatais operam com uma cabeça privada, com políticas e governança eficientes”, destaca Sondermann.

Quesitos – O levantamento avaliou a situação em 177 nações. Segundo o IL, o índice demonstra que, quanto maior o nível de liberdade econômica, melhores são as condições em quesitos como: saúde, crescimento econômico, renda per capita, educação, proteção ao meio ambiente e bem-estar geral. Na centésima posição, o Brasil ficou atrás de nações como: Zâmbia (93ª), Líbano (91ª), Guatemala (85ª), Paraguai (80ª), Mongólia (75ª), Colômbia (37ª) e Uruguai (36ª).

Entre os Brics, bloco que reúne ainda Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brasil é o segundo melhor, perde apenas para os sul-africanos, que estão na 74ª posição. A Rússia é a pior colocada no 139º lugar, seguida por China (136º) e Índia (119º).

Entre os 29 países das Américas Central e do Sul, o Brasil ocupa a 19ª posição, à frente da Argentina (160ª) e da Venezuela (174ª).

A lista é encabeçada por Hong Kong, com 89.3 de pontuação, na frente de Cingapura, que obteve 88 pontos e Austrália, com 82.6. Os Estados Unidos, que já ocuparam o topo do ranking, ficaram em 10º lugar, com 76 pontos. Segundo o IL, os norte-americanos têm registrado declínio consecutivo em liberdade econômica, com escore de perda acumulada de cinco pontos ou mais desde 2008.

O estudo classifica cada país em até cinco divisões: “livre”, com escores combinados de 80 pontos ou mais; “maioria livre”, atingindo de 70 a 79,9 pontos; “moderadamente livre”, países que ficam entre 60 e 69,9 pontos; “maioria não livre”, com escore de 50 a 59,9; ou “reprimido”, abaixo de 50 pontos.

O Índice de Liberdade Econômica é calculado anualmente pelo centro de estudos norte-americano Heritage Foundation e pelo The Wall Street Journal, com dados de diversos órgãos internacionais como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), vários bancos centrais do mundo, entre outros. No Brasil, quem traduz e é responsável pela divulgação é o IL, com apoio do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).

O Instituto Liberdade, com sede em Porto Alegre, é uma organização não governamental (ONG) que desenvolve estudos, pesquisas e propostas em políticas públicas. Já o IEE, também no Rio Grande do Sul, tem como intuito formar jovens lideranças empresariais e defender “manutenção dos valores da economia de mercado e da livre iniciativa”. O órgão conta hoje com 150 associados, entre 20 e 35 anos.

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Um polo criativo para Porto Alegre


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Matéria publicada por Zero Hora, com a contribuição de Rodrigo Valente:

Zero Hora – Rumos para mídia – 09/11/2011

Consolidar Porto Alegre como um polo criativo é o foco dos debates na Semana ARP.
Evento defende a necessidade da Capital atrair e manter bons profissionais  Rodrigo Valente e Angela Hirata participam da Semana ARP.

Poucos setores da economia crescem em ritmo comparável ao da indústria criativa. Nos últimos cinco anos, o segmento apresentou expansão média anual de 6,1%. Em 2010, movimentou R$ 104 bilhões, mostram dados compilados pelo Ministério da Cultura.

A participação de Porto Alegre nesse filão ainda é discreta. Especialistas alinham seus pontos de vista à tese de que a Capital pode se tornar um polo criativo — uma referência em troca de ideias, atividade cultural e inovações —, desde que desenvolva seu mercado.

A questão veio à tona com a Semana ARP da Comunicação, que selecionou o tema Indústria Criativa como foco de seus debates. — As discussões podem apontar caminhos para que Porto Alegre desenvolva um ambiente mais favorável à criatividade, com mais alternativas de trabalho para seus talentos — diz Daniel Skowronsky, presidente da Associação Riograndense de Propaganda (ARP). 

Confira algumas das sugestões dos participantes do evento:

Rodrigo Valente, professor da ESPM-RS: “Precisamos derrubar as barreiras de que Porto Alegre está fora do centro. Com as novas tecnologias, podemos compartilhar com o mundo o conteúdo que produzimos”.

Angela Hirata, consultora da São Paulo Alpargatas: “O RS tem setores com alta criatividade, como o vitivinícola, que vem abrindo mercados graças a ações diferenciadas”.

Leia mais em: http://www.clicrbs.com.br/paidcontent/jsp/login.jspx?site=409&url=http%3A%2F%2Fwww.clicrbs.com.br%2Fzerohora%2Fjsp%2Fdefault2.jsp%3Fuf%3D1%26local%3D1%26source%3Da3555444.xml%26template%3D3898.dwt%26edition%3D18322%26section%3D1008&previousurl=http%3A%2F%2Fzerohora.clicrbs.com.br%2Fzerohora%2Fjsp%2Fdefault.jsp%3Fuf%3D1%26local%3D1%26section%3Dcapa_online